quinta-feira, agosto 31, 2006

Altivoz

Quem quiser ver a Congada está aí uma grande oportunidade de apreciar o nosso Altivoz representado pelo coro feminino.

quarta-feira, agosto 30, 2006

A vida e os Outros

A vida é uma viagem; a vida é uma passante, meu caro, tem horas que você precisa esbarrar nos outros pra ter a chance de tocá-la. E cabe ao outro entender que às vezes tudo se passou apenas de um engano.

domingo, agosto 27, 2006

O artista e a verdade

O artista é aquele que não possui nenhum compromisso com a verdade e pode fazer uso dela sem medo de taxações.

sexta-feira, agosto 25, 2006

Meu pé de feijão

Por acaso, hoje senti saudades de uma velha experiência que dato dos tempos de escola: a de plantar feijão usando algodão e um potinho. Por ter visto um já semeado grão que não resistira. Aquilo me remetera ao tempo em que eu era uma criancinha e lá estava, olhando para o feijão, maravilhado com o grande segredo que aquele pequeno caroço guardava dentro de si e que explodiria dentro em breve. Como podia, pensava, daquele pequeno ser, aparentemente oco e sem vida, surgir alguma coisa? Isso me fascinava! Lembro-me de que o algodão ficava roxo, logo depois, sem que eu nunca pudesse ter visto, aquele pequeno caroço, que mais parecia inibido aos meus olhos, se abria e deixava transparecer o que seria seu futuro caule. Em seguida, dicotomizavam-se duas folhas reluzentes, tão verdes e vivas quanto qualquer boa experiência. Nunca entendi ao certo porque as plantas morriam pouco depois disso. Hoje, como adulto, acredito que fosse pelo pequeno espaço, ou pelo algodão; afinal, nunca as troquei de vaso e ficava, curioso, esperando que dali, do meu pequeno potinho, saísse uma grande árvore...por algum motivo, hoje lembrei do meu brotinho de feijão senti saudades... a vida naquela época parecia brotar dentro de mim, como o pequeno feijão, que, insustentável, logo depois morria.

quinta-feira, agosto 24, 2006

Introspecção

Eu tenho um sonho. Eu queria trabalhar com algo que me comovesse toda vez que eu colocasse a mão... com algo tão bonito que tocasse cada célula do meu corpo e me fizesse ter vontade de chorar por não conseguir suportar tanta beleza insustentável...

Todo ponto é distante quando não existe referencial.

quarta-feira, agosto 23, 2006

A menina que me olhava

Jamais esquecerei daquela menina... voltava eu de uma apresentação; cara emburrada, insatisfeito. É tendência minha dar crédito à teoria marcelocêntrica e esquecer que também giro ao redor dos outros! Nunca esquecerei daquela menina que, enquanto eu cantava, mirava meus olhos como se de mim saíssem todos aqueles sons harmônicos do coral. E depositava, fielmente segura, toda a ternura de uma admiração em meu olhar. Aquela menina, que não sei o nome, mas sei que ria, me fez arrulhar mais alto pra mostrar que a vida continua e é preciso cantar..."olha-me, menina", pensava eu, quieto, "em ti apoio minha nota musical", porque mal sabia, que sem ela meu canto não existia e eu era apenas uma cara emburrada, triste porque as coisas não saíam direito...

terça-feira, agosto 22, 2006

Idiossincrasia

O grande fato da vida é que não nos perdemos em momento algum, estamos sempre tangenciando a verdade sobre nós mesmos, o problema é que estamos muito ocupados pra perceber isso...

sexta-feira, agosto 18, 2006

Invocação ao ato de sentir [ou Socorro eu não estou sentindo nada]

Tenho vontade de chorar... procuro então, algo que exorte essa tendência que em mim, hermética, não se manifesta. Sabe, já não estou sensível como antes. As quinas, esquinas; esquivas mulheres que passam sobrecarregando compotas na cabeça, como equilibristas que se dispõem a fazer do todo um só, não mais exercem sobre mim tal influência. Vejo-as como simples fileiras, trabalhadoras do árduo labuto do existir. Folheio Drummond na expectativa de que seus versos possam acolher, sublimemente, as lágrimas que venho escondendo, porém, não há bomba que derrube essa rotina que se instalou em meu cansaço...essa falta de tempo em olhar pruma rosa e ver que não se trata apenas de pétalas, mas de um sentimento natural que se manifesta em cores vivas no meio do jardim. Quem olha assim de fora não sabe que o pior sentimento é o não sentir...

As percepções

e, frígido, não percebo que se passou por mim uma nuance; porque a rotina destrói os sentidos e o que antes era um turbilhão não passa agora de uma brisa silenciosa.

terça-feira, agosto 15, 2006

A realidade intermitente

A realidade nos tange quando percebemos que são apenas os sonhos que nos fazem sentir...

quarta-feira, agosto 09, 2006

Um assalto no caminho de Swann

Eu, sentado no ônibus, na leitura hermética do "caminho de Swann", não percebi quando eles entraram, e só mais tarde soube que eram três. Muitos disseram que foi anjo de Deus, e eu dizia que era sorte. Estava concentrado em signos, descrições e significados de palavras, enquanto eles agiam silenciosos tomando de um por um os seus bens tão preciosos (porque já são álbuns de fotografia, agendas eletrônicas os celulares). E ouvi alguns gritos, balbúrdias. "É briga", pensei, sem ao menos me tocar do movimento que se fazia. E, no instante em que eles se tornaram visíveis a mim, pude perceber, distraído ainda, o que acontecia. Um deles sentou ao meu lado e, como se eu fosse feito de matéria cristalina, não me dirigiu a palavra; eu, lendo continuava, no "caminho de Swann", na expectativa de que este me levasse a outro lugar que não ali, que não o Rio de Janeiro e, num frêmito interno, um medo me fazia retrair ainda mais a leitura e me manter alheio. Muitos disseram que foi anjo de Deus, eu dizia que era sorte. Aí então eles desceram. Eu me mantinha fixo, atraído pelo livro que mantinha nas mãos e já tremia de se perceber nas pernas. Nada me havia acontecido. Uns dizem que foi anjo de Deus...e às vezes, eu também acho...

sexta-feira, agosto 04, 2006

Eu, o intermitente

Eu sou como essa gente comum, dissipada e dissolvida numa multidão que desce em passos apressados as escadarias do metrô. Frágil, mentiroso, fofoqueiro, desinteressante, vulgar...com apenas um sonho na alma. Mas cismo em dizer que sou mil; não percebo que com minha mão canhota vou desenhando enfraquecido, ao grafite quebradiço, as linhas tortas que me definem, e esborrachando, violento, as riscas do meu esboço com o pulso arrastando na folha. Eu não sou este poliglota, este genial, este músico, este artista que tanto tento passar. Sou uma idéia de mim mesmo, e estou muito, muito envergonhado por isso.

terça-feira, agosto 01, 2006

Olhar

Sebastião Salgado - Crianças do Êxodo

A tradução específica do olhar está na expressão com que me olhas...